Por que tanta pressa para chegar?


Estranho como vivemos com pressa de chegar, de fazer, de acontecer. Quando somos crianças, queremos ter dezoito anos para ser “grande”. Na faculdade, queremos nos formar logo. Na empresa, queremos ser “chefes”. No sexo, queremos gozar. Na viagem, queremos chegar. Na segunda-feira, perguntamos: por que não é sexta-feira?

O que adianta ter dezoito anos se não temos responsabilidade para ter dezoito anos? A parte mais divertida e a que mais importa dos dezoito anos, são os dezessete, os dezesseis, os quinze anos... Os anos que tivemos antes de completar dezoito. Ele é só um marco ou uma data que não representa nada se não vivemos ou aprendemos o que tínhamos que ter aprendido até o momento.

O que adianta se formar logo e ter um canudo se não formos bons profissionais? Gente que copia trabalho, que cola em prova, principalmente, de faculdade, que aceita tudo que os professores falam sem criticar vai ser sempre escravo, vai ser sempre um cara que cola, copia e não critica nada na vida. Vai ser mais um e nunca vai ser o numero um!

O que adianta ser chefe se não conseguirmos, antes, exercer liderança? As pessoas que acham que chefe só manda, tem uma visão distorcida do que realmente é liderar pessoas e conseguir tirar delas o melhor. Provavelmente nunca passaram disso de gente que manda. E com isso farão todas as pessoas boas irem embora!

O que adianta ficar com uma pessoa só para “dar uma gozada”? Para isso ter graça, tudo antes tem que ter graça. Os olhares, o beijos, os silêncios, os carinhos e, por que não, as brigas. Aquele momento bom não dura mais do que alguns segundos e convenhamos, são sempre iguais, o que muda é quem e como estão compartilhando aquele momento. O que eu lembro é tudo que acontece antes e tudo que acontece depois.

O que adianta só chegar? Para mim o mais importante, é o que antecede a viagem, os preparativos, os sonhos as expectativas, a estrada todo que foi feito para que conseguirmos chegar. Sei lá, acho que eu curto mais os preparativo e a viagem de ida e volta do que propriamente as férias.

Qual a diferença de uma segunda, de uma quarta ou de uma sexta para quem não tem nada para fazer? As sextas-feiras só são sextas-feiras por que existem segundas, terças, quartas e quintas. Se elas não existissem todos os dias seriam sextas-feiras. Se a semana não tivesse sido corrida, com um milhão de compromissos e responsabilidades que graça teria a sexta, ela seria só mais um dia que passaríamos igual aos outros.

As pessoas só querem que as coisas aconteçam, que o dia chegue, que a gente chegue, que a promoção ocorra, mas não conseguem entender que um não existe sem o outro. O mar não tem o mesmo cheiro e o mesmo valor se morássemos a 50 metros de distância. As metas e os sonhos não teriam o mesmo gosto se alcançássemos sem precisar levantar da cama de manhã. Nunca seremos o profissional ou o líder que desejamos ser se não seguirmos o caminho. A vida só faz sentido, pois, todos os dias, a lua morre para o sol nascer. E é assim com a gente, não podemos fazer nascer um sol ou alcançar uma vitória, sem antes esperar a lua morrer ou nos prepararmos. A sentido da vida e a graça das coisas está em todo o processo e não apenas no resultado. O resultado sozinho é vazio, é vão.

Por isso não tenha pressa de chegar, curta cada centímetro e cada segundo da viagem, mas isso não é desculpa para levar mais tempo do que necessário para chegar onde se quer. Então: Mãos-a-obra, pois a hora de começar é agora, já!

2 comentários:

Mari Ceratti disse...

Rapaz, isso que vc disse sobre as viagens e sobre a importância do mar para quem vive longe dele... certíssimo!!
Abs dessa blogueira que anda sonhando com um marzão besta, de água bem calminha,
Mari

Margarida disse...

ops! vou seguir o seu conselho...mãos-a-obra


Voltarei!

Beijos doces