Fiergs: custo da indústria gaúcha é maior

Mais uma explicação do motivo da crise no nosso estado e, principalmente, no Vale dos Sinos.

De acordo com estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), encomendado pela Fiergs, o custo de uma indústria no RS é maior do que em outros estados. No setor calçadista, a carga tributária média geral (que engloba mercado interno e exportações) sobre o valor agregado é de 33%, ficando na média nacional. No entanto, está acima de Estados como São Paulo (32%), Bahia (31%) e Minas Gerais (30%), sendo igual à do Ceará (33%).

Se for considerado somente o mercado interno, porém, a carga tributária do setor gaúcho salta para 45%, ficando bem acima da marca nacional (40%) e superando Estados concorrentes: São Paulo (37%), Ceará (36%), Bahia (35%) e Minas Gerais (31%).

Na indústria moveleira gaúcha, a situação é semelhante. A carga tributária média geral sobre o valor agregado também é alta, 38%, ficando acima da média nacional (34%) e de estados concorrentes, como São Paulo (36%), Paraná (36%), Minas Gerais (35%) e Santa Catarina (25%). A situação se agrava, quando a carga tributária é analisada somente em relação ao mercado interno: neste caso, alcança 42%, enquanto a média nacional é de 38%. O estudo também verificou situação similar com a indústria de conservas no Rio Grande do Sul.

“Isto tem dificultado a ampliação de investimentos na economia gaúcha. A situação é pior diante das perdas somadas no setor de agronegócios e do câmbio desfavorável às atividades exportadoras”, afirma o presidente da Fiergs, Paulo Tigre. Ele também acredita que os números mostram “a necessidade do país enfrentar, de uma vez por todas, a questão da implementação de uma verdadeira reforma tributária”, uma vez que pelo sistema vigente “não há como ter um processo de desenvolvimento sustentado”.

(Fonte Baguete)

2 comentários:

Marcela P. disse...

O fato da industri vir para cá pra bahia, nao representa necessariamente uma vantagem para o estado. Nos por exemplo temos aceitado todo tipo de industria que o mundo todo rejeita, como a "millenium" por exemplo. A guerra fiscal faz parte, a pesar de nem sempre trazer só pontos positivos.

Marcio Eugênio disse...

Ola Marcela,
Por mais que o estado não ganhe diretamente com a arrecadação de impostos, ele acaba ganhando com a geração de empregos, que aumenta a renda das pessoas, que aumentam o consumo de bens e serviço... Enfim, acaba movimentando a economia como um todo e que, “meio-indiretamente”, teoricamente, acaba gerando mais arrecadação.
De qualquer forma a nossa situação por aqui está muito complicada, pois não estamos perdendo apenas a concorrência por empresas novas, muitos dos nossos empregos que existiam em empresas tradicionais estão sendo transferidos para outros estados e, principalmente, para Bahia. Um grande exemplo disso é a Azaléia.